“A suprema necessidade da humanidade é cooperação e reciprocidade.” –‘Abdu’l-Bahá

Uma seleção introdutória de passagens das escrituras Bahá’ís a respeito da temática das relações entre o indivíduo e a sociedade.

Ó FILHO, DO ESPÍRITO! A mais amada de todas as coisas, a Meu ver, é a Justiça; não te desvies dela, se é que Me desejas, nem a descuides, para que Eu em ti possa confiar. Nela te apoiando, verás com teus próprios olhos e não com os alheios; saberás pela tua própria compreensão e não pela compreensão de teu semelhante. Pondera isto em teu coração: como te incumbe ser. Em verdade, a justiça é Minha dádiva a ti e o sinal de Minha misericórdia. Guarda-a, pois, ante os teus olhos.

( Bahá’u’lláh, As Palavras Ocultas , Arabe No. 2 )

O conhecimento é como asas para a vida do homem; é como uma escada pela qual ele possa ascender. Incumbe a cada um adquiri-lo. O conhecimento deve ser adquirido, porém, de tais ciências que possam prestar benefícios aos povos da terra, e não daquelas que por meras palavras começam e assim também terminam. Grande, verdadeiramente, é a prerrogativa dos cientistas e dos artífices entre os povos do mundo.

( Epistolas de Bahá’u’lláh, Tajallíyát (Fulgores) )

E a honra e distinção do indivíduo consistem nisto, que dentre todas as multidões do mundo ele deve tornar-se uma fonte de bem-estar social. Existe alguma graça concebível maior do que esta para um indivíduo que, olhando para dentro de si mesmo, deve descobrir que pela graça confirmadora de Deus ele tornou-se a causa de paz e bem-estar, de alegria e favor ao seu semelhante? Não, pelo Deus único e verdadeiro, não existe maior bem-aventurança, nem mais completo deleite.

( ‘Abdu’l-Bahá, O Segredo da Civilização Divina )

Deus nos deu olhos para podermos olhar o mundo ao nosso redor e nos segurarmos a tudo o que fará avançar a civilização e as artes. Ele nos deu ouvidos para podermos ouvir e aprender com a sabedoria dos eruditos e filósofos e nos levantarmos para promovê-la e praticá-la. Sentidos e faculdades nos foram concedidos para serem consagrados ao serviço do bem comum, para que nós, agraciados acima de todas as outras formas de vida pela perceptividade e razão, devamos labutar em todos os tempos e em toda a parte, seja grande ou pequena, comum ou extraordinária a ocasião, até que toda a humanidade esteja seguramente reunida na inexpugnável fortaleza do conhecimento. Nós devemos estar continuamente estabelecendo novos alicerces para a felicidade humana, e criando e promovendo novos instrumentos para este fim. Quão excelente, quão nobre é o homem que se levanta para cumprir suas obrigações; quão vil e desprezível é aquele que fecha seus olhos para o bem-estar da sociedade e desperdiça sua vida preciosa na procura de seus próprios interesses egoístas e vantagens pessoais. Suprema é a felicidade do homem, e ele observa os sinais de Deus no mundo e na alma humana, se ele se apressa sobre o corcel de elevados esforços na arena da civilização e justiça.

( ‘Abdu’l-Bahá, O Segredo da Civilização Divina )

Não podemos segregar o coração humano do meio ambiente que o rodeia e considerar que basta que um destes seja reformado para tudo melhorar. O homem é orgânico com o mundo. Sua vida interior molda o ambiente e dele depende profundamente. Um atua sobre o outro, e qualquer mudança duradoura na vida do ser humano é o resultado dessas reações mútuas.

(Carta escrita em nome de Shoghi Effendi, Para um Bahá’í, 17 de Fevereiro de 1933)

Há certos conceitos fundamentais que todos devem ter em mente. Um é a centralidade do conhecimento em relação à existência social. A perpetuação da ignorância é a mais lamentável forma de opressão; ela reforça os muitos muros de preconceito que permanecem como barreiras para a compreensão da unicidade do gênero humano, simultaneamente a meta e o princípio operacional da Revelação de Bahá’u’lláh. O acesso ao conhecimento é direito de cada ser humano, e a participação em sua geração, aplicação e difusão, uma responsabilidade que todos devem ombrear no grande empreendimento de construir uma próspera civilização mundial - cada indivíduo de acordo com seus talentos e habilidades. A justiça requer participação universal.

( A Casa Universal de Justiça, Para os Bahá’ís do Mundo, Ridván 2010 )

Com referência à reciprocidade e cooperação: cada membro da comunidade deve viver no máximo conforto e bem-estar porque cada indivíduo membro da humanidade é um membro da comunidade e, se um dos membros estiver em infortúnio ou for afligido por alguma enfermidade, todos os outros membros devem necessariamente sofrer. Por exemplo, o olho é um membro do organismo humano. Se o olho fosse afetado, aquela aflição afetaria o sistema nervoso por inteiro. Consequentemente, se um membro da comunidade tornar-se aflito, na realidade, do ponto de vista da ligação simpática, todos compartilharão essa aflição, uma vez que este (o aflito) é um membro do grupo, uma parte do todo. É possível a um membro ou parte estar em aflição e os outros membros permanecerem tranquilos? É impossível! Por isso Deus deseja que no corpo político da humanidade cada um desfrute perfeito bem-estar e conforto.

( ‘Abdu’l-Bahá, Promulgação da Paz Universal )

O mundo da política é como o mundo do homem; ele é semente no início, e depois passa gradualmente para a condição de embrião e feto, adquirindo uma estrutura óssea, sendo coberto com carne, tomando sua própria forma particular, até que finalmente ele atinge o plano em que pode condizentemente consumar as palavras: “Criador por excelência. ” Do mesmo modo que isto é um requisito da criação e está baseado na Sabedoria universal, o mundo político não pode de maneira idêntica evoluir instantaneamente do nadir da imperfeição para o zênite da retidão e perfeição. Antes, indivíduos qualificados devem esforçar-se dia e noite utilizando todos aqueles recursos que conduzirão ao progresso, até que o governo e o povo desenvolvam-se ao longo de cada caminho do dia a dia, e mesmo de momento em momento.

( ‘Abdu’l-Bahá, O Segredo da Civilização Divina )

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