Mapa da expansão mundial da Fé Bahá’í conforme elaborado por Shoghi Effendi em 1952.

Shoghi Effendi – Guardião da Fé Bahá’í

O falecimento de Shoghi Effendi

Em 4 de novembro de 1957 Shoghi Effendi faleceu subitamente em Londres em consequência de uma forte gripe influenza. Ele estava com 60 anos de idade. Cinco dias depois, seu cortejo funeral cruzou a cidade, seguindo para o norte em direção ao então chamado Great Northern London Cemetery, onde os restos do Guardião foram sepultados.

No ano seguinte, foi construída uma coluna sobre o túmulo de Shoghi Effendi, com o mesmo mármore branco que ele próprio havia escolhido para os túmulos de seus ilustres parentes em Haifa. No alto da coluna encontra-se um globo, com o contorno da África na frente para simbolizar o grande amor que Shoghi Effendi tinha pelo continente e a espiritualidade de seus povos. Sobre o globo pousa uma águia de bronze dourada, uma reprodução de uma escultura japonesa que Shoghi Effendi colocara no seu próprio quarto e admirara por seu realismo e beleza.

O lugar de descanso do Guardião, hoje parte de um novo Southgate Cemetery, é um local de oração e reflexão para visitantes de todo o mundo.

O lugar de descanso definitivo de Shoghi Effendi no New Southgate Cemetery, Londres. Na coluna está gravada uma descrição de Shoghi Effendi extraída da Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-bahá: “Ei-lo! – ele é o ramo abençoado, sagrado, que brotou das Santas Árvores Gêmeas. Bem-aventurado quem procura abrigar-se à sua sombra, que ampara toda a humanidade”.

A comunidade bahá’í 1957-1963

A despeito da opressiva tristeza causada pelo inesperado falecimento do Guardião de sua Fé – e o fato de o supremo corpo administrativo internacional ordenado por Bahá’u’lláh não ter sido ainda eleito – os bahá’ís do mundo puderam manter sua unidade e um único foco de modo notável.

Durante cinco anos e meio – desde o falecimento de Shoghi Effendi até a Casa Universal de Justiça ser capaz de assumir as rédeas da Fé Bahá’í em 1963 – o único caminho seguro da comunidade era seguir com invariável firmeza o plano do Guardião para a expansão e consolidação da comunidade bahá’í. Nesse caminho, a comunidade foi guiada e encorajada por um corpo de crentes experientes e devotados que o próprio Shoghi Effendi havia escolhido.

Durante Sua própria vida, Bahá’u’lláh havia nomeado alguns bahá’ís destacados como “Mãos da Causa de Deus”. O papel dos mesmos foi formalmente definido por ‘Abdu’l-bahá em Sua Última Vontade e Testamento , na qual Ele enfatizou e esclareceu suas responsabilidades, incluindo proteção e propagação da Fé. ‘Abdu’l-Bahá escreveu que o Guardião deveria nomear e conduzir as futuras Mãos da Causa.

Nos últimos seis anos de sua vida, Shoghi Effendi nomeou 32 bahá’ís como Mãos da Causa. No tempo de seu falecimento, 27 deles ainda estavam vivos. Em uma mensagem, escrita apenas algumas semanas antes de seu falecimento, Shoghi Effendi referiu-se às Mãos da Causa de Deus como “os Intendentes-Chefes da Comunidade Mundial embrionária de Bahá’u’lláh”.1

Após o falecimento de Shoghi Effendi, os “Intendentes-Chefes” decidiram exercer a liderança da Fé e conduzir o mundo bahá’í o mais rapidamente possível à eleição da Casa Universal de Justiça. Isso foi recebido com a completa concordância e lealdade das Assembleias Espirituais Nacionais e dos bahá’ís do mundo inteiro. Logo após assumirem a responsabilidade temporária pela Fé, as Mãos da Causa anunciaram que a eleição da Casa Universal de Justiça aconteceria em abril de 1963.

As Mãos da Causa ajudaram a comunidade bahá’í a alcançar os objetivos de um plano de uma década de duração que o Guardião iniciou em 1953. Sob sua liderança, o número de Assembleias Espirituais Nacionais, que no tempo do falecimento do Guardião totalizava 26, chegou a mais que o dobro, perfazendo 56 que elegeram a Casa Universal de Justiça pela primeira vez.

Seguindo rigorosamente os critérios explícitos estabelecidos por ‘Abdu’l-bahá em Sua Última Vontade e Testamento para a nomeação de futuros Guardiães, quando do seu falecimento, Shoghi Effendi não nomeou um sucessor. Ele não teve filhos; nem havia qualquer dos descendentes vivos do sexo masculino de Bahá’u’lláh que demonstrasse as qualidades espirituais necessárias ou tivesse permanecido leal à Fé. Após o falecimento do Guardião, todas as Mãos da Causa de Deus assinaram documentos afirmando que não puderam encontrar qualquer testamento no qual Shoghi Effendi pudesse ter nomeado um sucessor.

Desde o falecimento do Guardião, houve umas poucas tentativas de criar cisma na comunidade bahá’í, mas a força e a unidade da comunidade bahá’í é tal que esses esforços são sempre fúteis. Quando em 1960, aos 80 anos de idade, uma das mais idosas Mãos da Causa – Charles Mason Remey – afirmou ser ele “o sucessor hereditário” de Shoghi Effendi, sua reivindicação infundada despertou pouco interesse. Ele morreu em 1974, ignorado até mesmo pelo punhado de pessoas que inicialmente atraiu.

Somente a Casa Universal de Justiça tinha a autoridade para confirmar se poderia ou não haver outro Guardião da Fé Bahá’í, submissa aos critérios estabelecidos para sua nomeação na Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá. Após a sua eleição em 1963, a Casa Universal de Justiça anunciou que não podia encontrar um meio de nomear ou legislar para tornar possível a nomeação de um segundo Guardião para suceder Shoghi Effendi.

Graças às Mãos da Causa de Deus, a Fé Bahá’í permaneceu unida e protegida durante os anos críticos que seguiram o Falecimento de Shoghi Effendi. A Casa Universal de Justiça escreveu acerca desses Intendentes-Chefes da Fé: “Em toda a história da religião não há qualquer registro comparável de tão rigorosa autodisciplina, tão absoluta lealdade e tão completa abnegação, da parte dos dirigentes de uma religião que subitamente se encontrassem privados de seu guia divinamente inspirado”.2

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